Quarto Registro – Parte 1: Pensando cá com meus botões…
A merenda da escola era boa, no segundo grau não temos mais contato com tais regalias,infelizmente, eu gostava daquele carreteiro, sem falar da ambrosia. Lembro que sempre recortávamos muito, haviam muitos trabalhos referentes a Educação Artística, isto é, muita sujeira e pouca preocupação. Me pergunto se hoje, ainda existem crianças brincando de recortar, se sujando numa sala de aula, se divertindo. Se ainda existem professores se sujando junto dos alunos, professores preocupados, quase como que pais, muitas vezes a educação não dada em casa ou dada de forma não coerente, é remoldada de forma correta dentro de uma sala de aula, fico imaginando se acaso o inverso ocorra, o que será do futuro então?
Um professor que marcou minha vida de forma muito significativa, foi o senhor Azul, ele abriu minha mente para diversos assuntos interessantes, me falou sobre a Inglaterra, e sobre uma banda de arruaceiros chamada The Sex Pistols e de sua atitude de ir de contra um sistema que tentava lhes dizer o que fazer, o que pensar, quando falar e como agir. Tal atitude me fez ver tudo de uma forma diferente, principalmente a forma com que eu via a religião, uma forma de prender pobres pessoas sem força de vontade, não digo que seja ateu ou algo do tipo, apenas saliento que se existe um Deus, ele não deve estar dentro de igreja alguma, portanto, nesse instante inicia-se a rebelião e a pior coisa que pode acontecer na vida de alguém “temente a Deus”, o surgimento de dúvidas.
Não há porque questionar, diziam eles, está tudo na bíblia, da mesma forma que acredito que Deus seja grande demais para viver em uma jaula de tijolos, também não se pode escrever tudo sobre um ser unipotente em apenas um livro, não desenhando é claro. Muitas dúvidas surgiram em minha mente, eu não estava feliz com minha vida, tendo de ir a igreja e vendo as pessoas pregarem coisas das quais eu não concordava na maioria das vezes, portanto, acredito eu que Deus queira que eu seja feliz, e se eu não estava feliz com minha atual situação, eu deveria deixar meu modo de vida cristão. E foi o que fiz, reuni dois “pastores” da igreja e tivemos uma conversa onde esclareci tudo, por exemplo, onde estava Deus durante o genocídio provocado por Hitler, por que a existência de tantas igrejas sendo que existe apenas um só Deus, e porque eu não me sinto feliz fazendo o que vocês dizem ser a vontade dele? Antes de o fim da conversa um dos pastores olhou em meus olhos e disse, “Eu sabia, já a muito tempo atrás, desde que eras umas criança, que isso iria acabar assim.” Acredito que essas palavras tenham sido ditas devido a outra conversa onde tentaram me convencer a não mais dirigir a palavra a meu irmão mais velho, para que ele assim voltasse a igreja para poder falar comigo novamente, eu me neguei a faze-lo, talvez tenha sido isso, não sei ao certo.
Nesse instante perdi todos os meus amigos da igreja, foi quando notei que não eram todos realmente meus amigos, um ou outro ainda me dão oi na rua, posteriormente estes foram saindo de lá também, meu verdadeiro amigo, daquela época em diante foi meu violão, eu já tinha toda a discografia de uma banda chamada Legião Urbana e estava aos poucos tentando escrever minhas próprias canções, nesse meio tempo foi que entrei no segundo grau, mas acredito que esteja indo rápido demais e talvez perdendo parte vital de nossa estória portanto, considere esse um capitulo para explicar um pouco sobre minhas convicções religiosas, e não como um capitulo seguindo uma ordem cronológica correta de eventos, apesar de toda essa carta não estar seguindo com coerência uma ordem sensata de eventos, não concordam?