“Terceiro Registro: Tranquilidade, epifania talvez… recordando.”
Todos tem seus lugares especiais certo? Porque comigo seria diferente? Depois de ter aprendido a andar de bicicleta, decidi me aventurar por entre as estradas de chão batido da Promorar e tentar encontrar algo legal para fazer em uma quente tarde de primavera, sempre tendo o Sr. Bordo como meu fiel companheiro. Encontramos um certo dia, um velho trilho de trem, que passava acima de uma ponte, nós subíamos a ponte e ficávamos lá em cima esperando o trem passar, ele nunca veio que eu me lembre e as vezes corríamos atrás dele quando estávamos em casa, mas nunca chegávamos a tempo, dava para ouvir ele passando. Fui inúmeras vezes aos trilhos sozinho, apenas para sentir o vento passar e ouvir o canto do quero-quero que ecoava em meio a ponte, era tranqüilizante aquela sensação, me pergunto hoje do porque nunca mais fui até lá…
Lembro dos congressos e das Assembléias também. Antes do segundo grau, nunca fui muito sociável, sempre muito isolado. Não precisava de muitos amigos, até porque, meu pais não permitiam, mas tinha alguns poucos e bons, as Assembléias e Congressos, eram como Reuniões gigantes, duravam de 1 a 3 dias, eram feitas em sua maioria na terra do “Tempo Demora a Passar”. Havia um lago lá, onde vários animais como tartarugas e peixes, eram alimentados pelas crianças, eu ficava vários minutos assistindo, era muito sereno todo aquele ritual, me deixava feliz, em paz, tranqüilo, eu amava aquele lago.
Sempre gostei de jogos, eu e meu irmão, muitas vezes ficávamos horas presos em frente a tela da televisão, felizmente, este problema foi resolvido quando eu estava na sétima série e meu tio me emprestou seu violão, o que tomou o lugar dos jogos e daquele momento em diante eu tinha uma nova paixão, mas nunca esquecendo que as séries de sobrevivência ao horror e os rpg’s eletrônicos que tiveram importância vital em minha infância/adolescência, me ajudaram a não ser tão emocionalmente dependente. Quando me perguntam se eu começaria novamente a tocar violão eu respondo Não! Absolutamente não, não passaria por tudo aquilo de novo, não em troca do que isso me proporcionou até hoje e do que tive de presenciar devido a isso, ou talvez sim exatamente pelo mesmo motivo.